sexta-feira, 10 de maio de 2013

Jesus está indo, até breve!



Às vésperas de celebrarmos a festa da Ascensão do Senhor revivemos os últimos momentos de Jesus entre os discípulos. Jesus está voltando para a Glória do Pai, são os seus últimos momentos conosco.

O sentimento de posse e até mesmo o egoísmo humano, pode no primeiro momento nos levar a sentir tristeza - Ele vai nos deixar.

É como quando um de nossos entes queridos falece, no primeiro momento vem o choro e a dor, e só quando nos damos conta verdadeiramente do que está se passando é que percebemos a imensa felicidade daquele que tanto amamos e a partir de agora não mais estará entre nós  passará a desfrutar. É a partir da morte que entramos verdadeiramente na Glória de Deus!

Assim acontece também nestes últimos momentos antes da ascensão de Jesus, a primeira sensação é de tristeza e medo, porém Jesus não se preocupa com isto; Ele não nos deixará órfãos.

A preocupação Dele em sua despedida, é que os seus discípulos (e todos nós hoje) entendam que a grande missão que Ele nos deixa é de continuarmos a levar a todos os povos o anúncio da Salvação, que acontece pelo perdão e conversão.

Ninguém deve viver com medo ou sem esperança por desconhecimento, todos precisam conhecer a Verdade que traz a salvação e leva a gloria de Deus.

Mas uma questão ainda hoje se levanta em nossos corações: “quem deve continuar a anunciar a Boa Nova?”.

No relato de Lucas (Lc 24, 45-53) percebe-se que Jesus não está pensando em alguns poucos para essa missão, não será função apenas dos padres ou bispos de hoje, tampouco dos doutores ou teólogos; esta é uma missão de todo cristão e Ele assim declara: “vós sois as testemunhas destas coisas.”.

Jesus conhece bem cada um de nós, nossos medos e fraquezas, e sabendo da importância da missão e de nossas dificuldades humanas é que Ele confirma então a vinda do Espírito Santo – “Eu vos enviarei o que meu Pai prometeu.” – e é este Espírito Santo que doravante irá iluminar os corações de todos os que se comprometem a viver o Cristo ressuscitado.

Devemos ter sempre diante de nós as suas palavras: “vós sois as testemunhas destas coisas!”, é preciso viver a Verdade com todo o coração; e sendo testemunhas e profetas, dar a todos com quem cruzarmos em nosso dia a dia, o testemunho sincero da certeza de que o Deus de amor infinito, junto com Jesus Cristo, nos aguarda um dia para em sua glória vivermos a felicidade eterna.

Tenhamos sempre em nossos corações a força do Espírito Santo, que nos conduz a viver como “testemunhas”, para que ao final da vida estejamos novamente com Jesus na glória do Pai.



Carlos Alberto



quinta-feira, 11 de abril de 2013

O homem moderno aprendeu a duvidar


Ao mesmo tempo em que o duvidar promove o avanço científico e cultural, muitas vezes também a “dúvida” pode provocar o afastamento e a exclusão; em relação à nossa fé, esta dúvida precisa ser esclarecida, respondida e provada, sem reprovações ou preconceitos, pois se bem combatida, agrega, une e fortalece a comunidade em torno da fé.

A caminhada humana por este mundo é um constante tropeçar em incertezas e dúvidas. Vejamos Tomé, que frente ao relato dos discípulos que viram o Senhor ressuscitado foi categórico: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei". (Jo 20, 25b)

Este Tomé é o homem de hoje; é cada um de nós em nosso dia a dia. Somos cheios de dúvidas, incertezas e ávidos por viver experiências que possam nos ensinar.  

Diante da afirmação dos outros discípulos: “vimos o Senhor” aquele Tomé reage, não desacreditando de seus irmãos, mas dizendo que ele precisaria viver a sua própria experiência e que o testemunho de outros não era suficiente para ele naquele momento.

A beleza e o ensinamento deste momento único residem justamente na forma como as coisas se sucedem, os outros discípulos permitem que Tome expresse sua dúvida em relação ao Senhor ressuscitado, não o criticam, nem o abandonam, mas o mantem em seu meio, até que dias depois o “encontro” com Jesus acontece e Tomé pode viver sua experiência definitiva.

Precisamos ter sempre em nossas mentes e corações, que a comunidade cristã de hoje, a exemplo do grupo de discípulos de então, deve ser um espaço de diálogo e acolhimento, pois só assim cada um de nós poderá expor as dúvidas, perguntas e incertezas, bem como partilhar conhecimento e experiências de forma que todos possamos cada dia mais, crescer na fé.

O cristão que a exemplo de Tomé, consegue viver de maneira honesta e saudável suas dúvidas e incertezas, sem perder o contato com a comunidade e com Jesus, aprofunda e fortalece sua fé de forma clara e consciente, sustentando-a em conhecimentos, certezas e experiências. Não se contentando em vivê-la superficialmente, apenas repetindo fórmulas decoradas ou submetendo-se a preceitos estabelecidos; mas sendo ele próprio permanente e verdadeiro testemunho do Amor e Misericórdia de Deus.

Caríssimos, que neste Ano da Fé, onde toda a Igreja proclama: “Credo Domine adauge nobis fidem.” – “Creio Senhor, mas aumenta nossa fé.”, sejamos uma comunidade acolhedora como a dos discípulos, tenhamos a honestidade de Tomé e assim, acolhendo com carinho, discutindo nossas dúvidas e vivendo experiências esclarecedoras possamos por fim dizer com convicção, certeza e a mais profunda fé: “Meu Senhor e meu Deus!"(Jo 20, 28)

Carlos Alberto

terça-feira, 19 de março de 2013

E o Papa, vai de ônibus?



No latim, língua oficial da Igreja, o substantivo omnibus dá origem a palavra portuguesa ônibus, que se traduz como: para todos. O Papa Francisco, como qualquer purpurado que se preze, fala latim e sabe disso. O povo, por sua vez, não fala latim, mas sabe bem o que é um ônibus. No entanto, o dado que tem impressionado o mundo é que este Papa faz o comum a um Papa, fala latim, mas também faz o comum ao povo, anda de ônibus, com o seu verdadeiro significado: para todos, inclusive para o Papa.
O Francisco dos ônibus agora se vê na barca. Ele enfrentará o desafio de conduzir a embarcação de Pedro que sofre com mar revolto. Talvez a experiência com os ônibus possa ajudar na configuração de uma barca para todos, de fato católica, portanto, universal, sem acepção.
Há, inclusive, uma máxima pastoral que diz: “é melhor errar com o povo de que acertar sem ele.” De nada vale uma Igreja perfeita, sem o povo, uma cúpula ilibada, mas que, no fundo, não representa ninguém. O Papa já deixou claro que não quer descer do ônibus, mas também não quer que o povo desça. “E agora comecemos este caminho, bispo e povo (…) um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós.”
Como mais um passageiro, arrisco pedir ao Papa: Francisco, restaure a Igreja, mas vá de ônibus, com o povo. Não pare para discutir caprichos do cenário tais como: De quem pode mais? Quem cresce mais? Quem perde mais? Pare o ônibus única e exclusivamente para recolher aqueles que não podem comprar passagem.
Com todos os limites da comparação, arrisco dizer que a receita para a Igreja é, justamente, um Papa que vá de ônibus.
Francisco, bom trabalho, vá com Deus, mas vá de ônibus!

Frei Renato Pezenti, OFM

sábado, 16 de março de 2013

Papa Francisco - Primeira Homilia



Homilia do dia 15/03/13, em sua primeira missa como Pontíficie:
Vejo que estas três Leituras têm algo em comum: é o movimento. Na primeira Leitura, o movimento no caminho; na segunda Leitura, o movimento na edificação da Igreja; na terceira, no Evangelho, o movimento na confissão. Caminhar, edificar, confessar.
Caminhar. «Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 5). Trata-se da primeira coisa que Deus disse a Abraão: caminha na minha presença e sê irrepreensível. Caminhar: a nossa vida é um caminho e, quando nos detemos, está errado. Caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do Senhor, procurando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pedia a Abraão, na sua promessa.

sexta-feira, 15 de março de 2013

A curiosidade que ensina e encanta




    
Diante de toda a beleza do Vaticano, em especial a Basílica de São Pedro e que tanto tem sido exibida pela mídia nos últimos dias, fui questionado de forma simples e despretensiosa a respeito da belíssima imagem de Nossa Senhora que vemos no Altar da Confissão e até já foi vista fora da Basílica em celebrações presididas por Bento XVI na Praça de São Pedro.

sábado, 19 de janeiro de 2013

O vinho do amor!


Neste próximo domingo viveremos o 2º Domingo do Tempo Comum – Ano C, ao menos atento pode parecer estranho que seja proclamado o Evangelho de João, pois no tempo comum do ciclo C acompanhamos Lucas.
A explicação é que anteriormente a Epifania celebrava três eventos: a Adoração dos Magos, o batismo de Jesus e as bodas em Caná. Atualmente a liturgia celebra no dia da Epifania apenas a Adoração dos Magos, e nos domingos seguintes os outros dois eventos. Por isso temos neste domingo o Evangelho de João, que é o único que conta a Bodas de Caná na Galileia.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Homilia Diária

A alegria de Jesus
A alegria dos discípulos por causa do sucesso alcançado na realização da missão que lhes foi confiada por Jesus provoca momentos de alegria em Jesus.
Segundo o evangelho de hoje, de Lucas 10,21-24, Jesus dirige a Deus uma oração chamando-o Pai, ou melhor, de “papai”, como os filhos menores o faziam, segundo a tradição judaica.
O papai de Jesus é Deus, o nosso criador, o criador do céu e da terra e de todas as coisas que nos rodeiam e em relação aos homens Deus é um amigo muito querido, é alguém da família, é um paizão.
Fazendo assim, Jesus mostra o seu empenho em libertar o ser humano do terror de Deus.
A alegria de Jesus é motivada pelos critérios que Deus escolheu para manifestar os seus mistérios.
Ele os escondeu aos sábios e entendidos e os revelou aos pequenos. Jesus e a sua mensagem não foram aceitos por pessoas cultas ou instruídas, mas foram entendidos por pessoas simples, pobres e humildes.
Sua mensagem de amor é atual para cada um de nós, para as pessoas que amamos, pela nossa família, pelos nossos amigos e a revelação da paternidade de Deus em relação a nós é salvação para nós: “esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o único e verdadeiro Deus e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo” (Jo 17,3).
Neste dia de nossa preparação para o Natal, somos convidados a experimentar a alegria de Jesus por ver que cumprimos a nossa missão como cristãos, a começar entre os de nossa família.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Homilia Diária

A fé de um centurião romano

O evangelho de hoje é tirado de Mateus 8,5-11. Nele, nós podemos contemplar Jesus que tem compaixão por todos aqueles com os quais se encontra.
Hoje, nós o vemos curando o empregado de um oficial romano, que se encontra com uma paralisia.
Jesus sabe que a saúde não é tudo, que mais importante do que a saúde é a salvação, mas se deixa convencer e impressionar.
Jesus fica impressionado com a fé do centurião de Cafarnaúm. Ele sabe que a sua missão destinada ao povo de Israel, mas, com alegria, acolhe também esse oficial romano, vendo no seu interesse a realização da profecia de Isaías.
De fato, o centurião lhe havia dito: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Mas dize uma só palavra e meu empregado ficará curado”.
Ele também havia dito que mandava nos empregados e os empregados o obedeciam.
Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó”.
Também nós podemos ficar admirados com tantas pessoas que, mesmo dizendo que não acreditam em Deus, realizam verdadeiros gestos de fé.
Em relação a isso, precisamos estar atentos, para também nós nos confiarmos na sua compaixão, deixá-lo admirado com a nossa fé, mesmo simples e talvez ainda pequena.
Que também nós fiquemos admirados com a sua presença no meio de nós, que se realiza através do testemunho de pessoas que pareciam estar longe do evangelho, mesmo que estejam em nossas famílias ou entre os nossos amigos, sabendo que Jesus tomou sobre si as nossas enfermidades e assumiu as nossas doenças.
É assim que descobrimos que não basta ser católico para participar das coisas do alto, é necessário assumir a fé e ter uma vida coerente com ela. Façamos isso hoje como o fez o centurião que se encontrou com Jesus.

Qual o Valor da tua fé?

Desde outubro até a próxima Festa de Cristo Rei de 2013 viveremos o Ano da fé e este blog quer ajudar a cada um de nós a refletir sobre nossa fé pessoal e eclesial. Neste vídeo do Padre Shankar temos de forma clara, simples e direta algumas noções de fé.



"Eu não preciso conhecer o quarto, porque não é ele que me faz, sou eu que faço ele!"

sábado, 1 de dezembro de 2012

Modelos de Catequese - No início, ontém e agora




O Catecumenato: Estamos no início da Igreja, no meio dos gentios cresce a comunidade dos cristãos. Surge a necessidade de organizar a catequese, aumenta o número de pessoas desejosas de assumir o novo estilo de vida; são judeus, gentios, pessoas nobres do Império, gente letrada. No séc. I nasce o catecumenato. Primeiro, o candidato se sente atraído pela vida cristã: é o pré-catecumenato; segundo, é admitido na vida cristã depois de manifestar o desejo de crer e viver como os cristãos, é alimentado pela Palavra de Deus e iniciado nos ritos litúrgicos: é o tempo de formação, que não é conhecimento de dogmas, mas mergulho no mistério pascal, mergulho na fé da Igreja, que é crida, celebrada e vivida; finalizando essa fase com a recepção dos sacramentos da iniciação: Batismo, Crisma e Eucaristia; terceiro, recebe a instrução não por meio de um curso, mas da meditação do Evangelho e da participação na vida litúrgica da Igreja: Mistagogia.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Homilia Diária

A apresentação de Nossa Senhora ao templo

Hoje, nós celebramos a Apresentação de Nossa Senhora. Nesta celebração, refletimos sobre o evangelho de Mateus 12,46-50, no qual nós descobrimos quem verdadeiramente é a mãe de Jesus.
Vários elementos levaram à instituição da festa de hoje, da Virgem. O Protoevangelho de Tiago, um escrito apócrifo, não reconhecido como texto inspirado e por isso não elencado entre os livros da Bíblia Sagrada, narra o nascimento de Maria de Joaquim e Ana, em Jerusalém, em uma casa não distante do templo.
Para além da verdade histórica dessa informação está subentendida uma linda consideração teológica: Maria é a filha de Sião associada ao templo.
Outros apócrifos nos oferecem quadros de uma vida doméstica da mãe de Jesus, toda focada no cumprimento da promessa feita ao anjo de ser a serva do Senhor.
Alguns autores sagrados procuraram apresentar a Virgem Maria como modelo de vida consagrada.
A apresentação ao templo, este mistério alegre que hoje recordamos, é uma verdadeira e própria consagração ao Senhor. Maria é oferecida a Deus e Deus a devolve como mãe de todos os crentes.
O evangelho de hoje, exaltando Maria como mulher da escuta, como aquela que por toda a vida se dedicou a cumprir somente a vontade de Deus, desde quando disse ao anjo: “eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”, faz um convite a todos os cristãos a tornar a nossa vida humilde e dócil à escuta e à prática da própria palavra de Deus.
É isso que nos permitirá realizar em nós uma íntima comunhão com Jesus semelhante àquela que Maria viveu dando à luz o Salvador do mundo.
“Quem realiza a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Maria, o templo de Deus, acolhe o Verbo que se faz carne, e nós encarnamos a Palavra de Deus na nossa vida.
Que o exemplo de Maria de dedicação ao Senhor nos ajude a ser cristãos mais autênticos, voltados para cumprir com a Palavra de Deus, e sempre dispostos a viver uma vida consagrada à glória de Deus

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Homilia Diária

Adoramos a Deus na pessoa de Jesus
Hoje nós celebramos a festa da Dedicação da Basílica do Latrão. Refletimos sobre o evangelho de João 2,13-22, cujo tema é a adoração a Deus em espírito e verdade.
Os cristãos sabem que o lugar novo para adorar a Deus é o corpo de Cristo ressuscitado. Jesus já falava sobre isso nas discussões com alguns judeus de sua época que se sentiram ofendidos por ele ter expulsado do templo os vendilhões de animais e os cambistas.
Eles pedem um sinal que explicasse uma atitude tão violenta. E Jesus responde com um sinal profético: “Destruí este templo e eu o reconstruirei em três dias!”. Mas ele falava do templo do seu corpo, assim recordarão os discípulos depois da ressurreição.
Na conversa com a samaritana está presente o mesmo conceito. À pergunta onde se deve adorar a Deus, se sobre o monte Garizim ou em Jerusalém, Jesus, sabendo que a salvação virá dos judeus, coloca-se sobre todas as questões.
O lugar no qual o homem e a mulher podem entrar em contato com Deus não é em Jerusalém nem no monte Garizim, mas na pessoa de Jesus.
“Chegou o momento, e é agora, no qual os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade”.
Deus é espírito e vida, como é amor e luz. Os seus adoradores não se prostram com sacrifícios e holocaustos, mas se elevam a ele em espírito, como filhos amados que sabem amar. No Espírito, que é a vida de todos, temos a comunhão com o Pai e os irmãos.
A festa de hoje é uma festa do filho de Deus que se fez homem, que armou sua tenda, o seu corpo, entre nós.
As igrejas de pedra são um sinal dessa presença: é ele que nos fala, é ele quem se dá a si mesmo em alimento, é ele quem preside a comunidade reunida em oração.
Na festa da dedicação da Basílica do Latrão, toda comunidade local, além de exprimir a própria comunhão com a Santa Sé, lembra e celebra também a dedicação da própria comunidade local, pequena ou grande.
Jesus ensina que o templo de Deus é, antes de tudo, o coração do homem e da mulher que acolhe a Palavra. E sempre que esta palavra for acolhida Jesus promete: “nós viremos e faremos morada nele”.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Homilia Diária

O poder de Deus é incomparável
O evangelho de hoje, de Lucas 13,31-35, está situado na última subida de Jesus a Jerusalém.
Ele sabe que vai morrer ali de maneira horrível. Mesmo sabendo disso segue o seu caminho decidido e declara que deve seguir adiante hoje, amanhã e depois porque não é permitido a um profeta morrer fora de Jerusalém, pois é ali que glorificará a seu pai e nos mostrará o quanto nos ama.
Diante dessa decisão, não importam os poderes políticos – Herodes que o ameaça de morte – nem sociais – alguns fariseus que pedem que ele saia dos seus domínios.
Durante a perseguição religiosa na Espanha, em 1939, alguns soldados que atacaram um mosteiro de irmãs carmelitas, ouviram a madre superiora dizendo às suas irmãs: “Estes senhores nos levarão aos céus porque nos tornarão mártires, como os primeiros cristãos”. Em seguida cada uma delas abraçava a outra dando-se a paz.
Esta é a prova de que Jesus continua ainda hoje sua caminhada para Jerusalém de maneira decidida e até apressada.
Ele não tem medo, mas pressa. Sabe que a vontade de Deus é, no fim das contas, o que realmente conta nesta vida. Ele também sabe que muitos cristãos, ao longo da história, saberão renunciar a muitas coisas, inclusive à própria vida, para cumprir fielmente com a vontade de Deus.
Jesus está louco por ele é o amor. O seu amor leva uma dose de loucura e de incompreensão.
Loucura porque o que ele faz não tem sentido a partir da nossa visão humana. Ele parece ir contra o que é natural e o que é razoável.
Incompreensão porque não somente o fim de sua vida terá uma cor que as pessoas não compreenderão, mas provocará surpresa porque terá como finalidade eliminar todas as coisas que amarram a vida do ser humano.
Que hoje e sempre nós sejamos cada vez mais fiéis a Cristo e não tenhamos medo de dar a nossa vida para resgatar a muitos que deixaram as fileiras da Igreja.
Com a nossa vida, mostraremos que os poderes deste mundo não são nada se comparados com o poder de Deus.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Homilia Diária

A salvação é para todos
O evangelho de hoje é tirado de Lucas 13, 22-30. O evangelista nos coloca diante da seguinte pergunta: “são poucos os que se salvam?”.
A vida de cada pessoa e o percurso de volta para Deus de toda a humanidade são comparáveis a uma dura e incerta estrada no deserto. Nós olhamos diante de nós e vemos tudo árido. Ali não existem placas indicando onde nós iremos chegar.
Essa foi a experiência do povo hebreu pelo deserto. Nós encontramos essa narração do Êxodo.
No evangelho de hoje, Jesus, questionado sobre quantos se salvarão, fala da porta estreita. Com isso, ele quer lembrar aos discípulos que é preciso que se façam pequenos e humildes para poder entrar no Reino dos céus.
Em outras palavras, é preciso dar duro e ser perseverantes e pontuais ao encontro com Deus para evitar que corramos o grande risco de chegar atrasados e encontrar a porta fechada.
Acontece, como nós sabemos pelo próprio evangelho, que também as virgens ficaram sem óleo. Porém, Ninguém poderá achar desculpas diante do justo juízo de Deus.
Ninguém poderá querer tirar vantagem do fato de que na terra tinha intimidade com Deus se isso não for confirmado por uma verdadeira e autêntica vida ativa de serviço ao próximo.
Quando a fé se apaga ou afastamos Deus de nossa vida, não somente perdemos a vida do Reino, mas a tornamos, por nossa culpa, inacessível a nós mesmos e ficamos do lado de fora, justamente como aconteceu com Adão e Eva depois da experiência do pecado.
Jesus, porém, mais uma vez nos conforta: ele se define como porta das ovelhas. Então Jesus nos diz mais uma vez: “em verdade em verdade eu vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assassinos. Mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta: se alguém passa por ela através de mim, será salvo, entrará e sairá e encontrará pastagem”.
Portanto, a salvação é para todos. Para encontrá-la, devemos procurar Cristo. Ele nos mostrará o verdadeiro caminho para uma vida feliz e de qualidade.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Homilia Diária

O cristão está sempre alerta, rezando e praticando o bem
No evangelho de hoje, de Lucas 12,35-38, Jesus diz aos seus discípulos: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrir em, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!”.
Este evangelho é um convite ao crente a ficar sempre vigilante para estar pronto para acolher Jesus quando ele vier em sua glória. Isso não se faz mediante atos extraordinários, mas no dia a dia.
Jesus exorta aos discípulos, isto é, a nós, a que vivamos sempre com esta disposição interior, como os servos da parábola que estão esperando pelo retorno do patrão. “felizes serão, se assim os encontrar”.
Portanto, o cristão está sempre alerta, rezando e praticando o bem.
As primeiras comunidades cristãs tinham tanta consciência disso, a ponto de se considerarem estrangeiras neste mundo e chamavam a cada célula como paróquia, que quer dizer: colônia de estrangeiros (cfr. 1Pt 2, 11).
Dessa maneira, os primeiros cristãos expressavam a característica mais importante da Igreja que é justamente a tensão para o céu.
A liturgia de hoje quer, portanto, nos convidar a pensar na vida do mundo que há de vir, como repetimos todas as vezes que rezamos o Creio, a nossa profissão de fé.
Trata-se de um convite a viver a nossa existência de maneira sábia e previdente, a considerar atentamente o nosso destino e aquelas realidades que nós chamamos últimas: a morte, o juízo final, a eternidade, o inferno e o paraíso.
Mas não podemos nos separar do mundo no qual estamos vivendo. É pensando no que há de vir que nós assumimos a responsabilidade pelo mundo no qual estamos para construir nele a civilização do amor.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Santo do Dia

Santo Inácio de Antioquia


No centro do Coliseu romano, o bispo cristão aguarda ser trucidado pelas feras, enquanto a multidão exulta em gritos de prazer com o espetáculo sangrento que vai começar. Por sua vez, no estádio, cristãos incógnitos, misturados entre os pagãos, esperam, horrorizados, que um milagre salve o religioso. Os leões estão famintos e excitados com o sangue já derramado na arena. O bispo Inácio de Antioquia, sereno, esperava sua hora pronunciando com fervor o nome do Cristo. 

Foi graças a Inácio que as palavras cristianismo e Igreja Católica surgiram. Era o início dos tempos que mudaram o mundo, próximo do ano 35 da era cristã, quando ele nasceu. Segundo os estudiosos, não era judeu e teria sido convertido pela primeira geração de cristãos, os apóstolos escolhidos pelo próprio Jesus. Cresceu e foi educado entre eles, depois sucedeu Pedro no posto de bispo de Antioquia, na Síria, considerada a terceira cidade mais importante do Império Romano, depois de Roma e Alexandria, no Egito. Gostava de ser chamado Inácio Nurono. Inácio deriva do grego "ignis", fogo, e Nurono era nome que ele mesmo dera a si, significando "o portador Deus". Desse modo viveu toda a sua vida: portador de Deus que incendiava a fé.

Mas sua atuação logo chamou a atenção do imperador Trajano, que decretou sua prisão e ordenou sua morte. Como cristão, deveria ser devorado pelas feras para diversão do povo ávido de sangue. O palco seria o recém-construído Coliseu.

A viagem de Inácio, acorrentado, de Antioquia até Roma, por terra e mar, foi o apogeu de sua vida e de sua fé. Feliz por poder ser imolado em nome do Salvador da humanidade, pregou por todos os lugares por onde passou, até no local do martírio. Sua prisão e condenação à morte atraiu todos os bispos, clérigos e cristãos em geral, de todas as terras que atravessou. Multidões juntavam-se para ouvir suas palavras. Durante a viagem final, escreveu sete cartas que figuram entre os escritos mais notáveis da Igreja, concorrendo em importância com as do apóstolo Paulo. Em todas faz profissão de sua fé, e contêm ensinamentos e orientações até hoje adotados e seguidos pelos católicos, como ele tão bem nomeou os seguidores de Jesus.

Numa dessas cartas, estava o seu especial pedido: "Deixai-me ser alimento das feras. Sou trigo de Deus. É necessário que eu seja triturado pelos dentes dos leões para tornar-me um pão digno de Cristo". Fazia-o sabendo que muitos de seus companheiros poderiam influenciar e conseguir seu perdão junto ao imperador. Queria que o deixassem ser martirizado. Sabia que seu sangue frutificaria em novas conversões e que seu exemplo tocaria o coração dos que, mesmo já convertidos, ainda temiam assumir e propagar sua religião.

Em Roma, uma festa que duraria cento e vinte dias tinha prosseguimento. Mais de dez mil gladiadores dariam sua vida como diversão popular naquela comemoração pela vitória em uma batalha. Chegada a vez de Inácio, seus seguidores e discípulos esperavam, ainda, o milagre.

Que não viria, porque assim desejava o bispo mártir. Era o dia 17 de outubro de 107, sua trajetória terrena entrava para a história da humanidade e da Igreja.

Homilia Diária

A lei de Deus é sempre para o bem do ser humano
No evangelho de hoje, de Lucas 11,42-46, Jesus nos ensina o grande dom da humildade.
No anúncio que fez do Reino, ele jamais se calou diante da hipocrisia de muitos dos seus ouvintes.
Lemos hoje que Jesus não quer que os mandamentos que Deus havia confiado a Moisés sejam desrespeitados.
Ao contrário, dirige-se àqueles que conhecem muito bem os mandamentos. Ele quer que todos descubram o verdadeiro fundamento da lei de Moisés.
Infelizmente, existem algumas pessoas que procuram praticar as regras apenas exteriormente, mas se descuidam da justiça e do amor de Deus.
Com suas palavras, podemos entender que Jesus nos convida a viver a profundidade dos mandamentos.
A lei de Deus é sempre para o bem do ser humano que procura viver no amor e na justiça. Não praticar isso significa também não observar a lei de Moisés.
Assim, precisamos repensar a nossa maneira de viver a religião. Não podemos vivê-la na superficialidade, apenas seguindo normas e preceitos. Também não podemos sobrecarregar o povo com normas que nem nós cumprimos.
Todos nós conhecemos a Palavra de Deus, sabemos quais são as normas e os preceitos que Deus nos deixou. Mas precisamos passar disso.
Não podemos achar que somos os privilegiados e, portanto, nos considerar justos quase que por direito e que não precisamos cumprir com nenhuma norma.
Se fizermos assim, nós mesmos nos tornamos a norma em si e passamos a obrigar os outros a praticar uma lei que é a nossa imagem e semelhança.
Peçamos ao Senhor que nos ensine a ser homens e mulheres verdadeiramente retos e coerentes com o que tivermos que fazer. Assim, chegaremos a viver com maturidade todos os nossos atos e seremos abençoados por Deus em todas as nossas atividades.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Homilia Diária

A crítica de Jesus durante uma refeição
No contesto de uma refeição na casa de um fariseu, o evangelho de hoje, de Lucas 11,37-41, coloca de maneira surpreendente uma série de investidas duríssimas contra alguns fariseus e escribas que queriam perseguir Jesus.
A ocasião se apresenta quando Jesus, antes de se sentar à mesa de um fariseu, não realiza as purificações rituais.
Certamente, toda e qualquer religião tem seus ritos. Os ritos são gestos que refletem e favorecem o encontro do homem e da mulher com Deus que se faz presente na história.
Qualquer rito, porém, corre o risco de se tornar algo absoluto. Formalizando o gesto exterior pode-se esquecer da importância decisiva do coração. É por isso que Jesus diz: “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades”.
Alguns fariseus, exteriormente, reconhecem o dom de Deus, inclusive nas pequenas coisas. Na realidade, porém, no seu íntimo existe o engano em vez da glória de Deus e ele se torna duro com os irmãos. Assim é que substituem a misericórdia de Deus pela pretensão de que eles não pecam.
Ao invés de colocar Deus e o seu amor no seu coração, colocam a si mesmos e praticam o amor à sua própria imagem.
A uma luminosidade exterior, fátua, Jesus coloca no lugar a luz do dom de si e da misericórdia que vem de dentro de um coração que se sente tomado pelo dom.
Paulo, na sua conversão, abandona todo o seu tesouro de grandeza como imundície, diante da sublimidade do conhecimento da condescendência do seu Senhor.
Peçamos, hoje, ao Senhor a graça de purificar os nossos corações mediante os sacramentos e orações que possam limpar o nosso interior. Aprendamos a apreciar nas outras pessoas o que elas têm de belo em suas almas e não tanto a fealdade ou a sujeira de quem se encontra ao nosso lado.
É assim que nós passaremos das críticas ao perdão, à misericórdia e ao amor tal qual nos foi ensinado por Jesus.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Homilia Diária

Ainda precisamos do sinal da cruz
O evangelho de hoje é tirado de Lucas 11,29-32. Jesus se pergunta com o que poderá comparar a sua geração. Seus conterrâneos veem milagres, mas não conseguem ver quem os realiza.
Para muitas pessoas, Deus deve manifestar-se constantemente para todos, pois somente assim o mundo poderá crer.
Essas pessoas querem uma demonstração evidente da existência de Deus e da sua presença no nosso dia a dia, porém o Evangelho de hoje nos mostra que assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, Jesus é um sinal para nós, e Jonas foi um sinal para os ninivitas apenas por suas palavras, que os ninivitas ouviram e creram.
Deste modo, Jesus é um sinal para nós por sua palavra e é nela que devemos crer e não ficar exigindo que ele fique realizando “milagres” para que fundamentemos a nossa fé.
Por que somos assim? Porque desejamos segurança, certezas. Queremos ter diante dos olhos uma prova, um milagre. Todos os dias são ocasião para buscar que precisamos ou para encontrá-lo, para contemplá-lo, porque já temos tudo.
Jesus, cravado na cruz, é o grande sinal de que precisamos. A prova de um amor incondicional e desinteressado, um amor que se entrega até ao extremo de dar a vida pelos amigos.
O crucificado nos faz ver o milagre mais extraordinário que já existiu: o do amor que se demonstra na dor. Basta que o contemplemos com mais atenção para que tenhamos a plena segurança para a nossa vida: a de saber-nos e nos sentir profundamente amados.
Esse sinal é também um convite. Jesus nos convida a nos converter em sinais para o nosso próximo. Que quando as pessoas nos virem agir, saibam e acreditem que existe o amor. Que, pelo nosso modo de viver, tenham segurança de que vale a pena ser seguidor do homem que aparentemente foi derrotado na cruz.
Para ser sinais, provas vivas, é preciso aprender como Cristo a subir na cruz. Nela está o sinal do amor.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Homilia Diária

Pedi, e recebereis!
A partir da oração que Jesus nos ensinou ontem, ou seja, o Pai Nosso, o evangelho de hoje, de Lucas 11,5-13, coloca o acento na eficácia da oração. Esta deve ser feita naturalmente, mas com constante insistência.
O texto explicita isso através de duas simples parábolas. A primeira é a daquele que se coloca diante da casa de um amigo à meia-noite para pedir-lhe pão.
A meia-noite é a hora da necessidade mais aguda e da suma improbabilidade de ser ouvido. Porém, coloca-se lá porque sabe que vai conseguir, apesar das dificuldades, que o amigo o ajude porque é seu amigo.
O pão da vida é Jesus, e é sempre como nosso amigo que podemos contar com ele.
A segunda parábola aprofunda o tema da paternidade. Jesus define o que é ser pai. “Qual pai entre vós, pergunta Jesus, se o filho lhe pede um peixe lhe dará uma cobra?”.
Isso é inconcebível. Pois bem, Pai é aquele que está disposto a escutar e a acolher o pedido e a súplica de quem pede com insistência.
No evangelho de Lucas, Jesus se pergunta se os pais da terra se assemelham ou não ao Pai do céu. A semelhança está na maneira como os pais atendem aos pedidos dos seus filhos.
Quando a Deus, nós pedimos que ele nos conceda o grande bem que ele pode e quer nos dar: o seu próprio espírito.
Nós, que somos seus filhos, compartilhamos por graça a vida divina de Jesus. Pedir o Espírito Santo significa pedir santidade e sabedoria, os dons mais preciosos que Deus reserva para nós para tornar a nossa vida mais justa e mais pacífica, ainda neste mundo.
Portanto, a confiança em Deus, que sabemos que é um bom Pai, nos leva a entender que ele já conhece todas as nossas necessidades, antes mesmo que nós as peçamos. É isso que nos dá a garantia de que Deus irá nos conceder o que pedimos.
Por isso, Jesus nos ensina: “pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá”.
Assim, Jesus nos faz passar das necessidades que temos à necessidade que nós somos. Se temos necessidade dos dons de Deus é porque temos necessidade do infinito.